Sem sombra de duvidas, a coisa mais fácil é cuidar da minha babe. Ela não faz manha, não é mal educada, e normalmente faz as coisas que eu peço. Não conta para mãe quando eu faço alguma coisa errada. Ela é um bebê grande, que não chora e está aprendendo a andar. Claro que tem uns momentos difíceis, porque ela maior e mais pesada que um bebê e necessita de toda a atenção, as vezes até mais, que um bebê necessita. Mas, mesmo assim, é a parte mais fácil do meu trabalho como au pair. Só para terem uma idéia de como é difícil a vida de au pair
sexta-feira, 1 de junho de 2012
quinta-feira, 31 de maio de 2012
4 Coisas: Coisa Boa (parte 2)
Depois de anos tentando passar na prova prática de direção, eu finalmente consegui. E foi assim que minha vida começou a melhorar. Nada melhor do que ser independente de novo. Eu não tinha carro no Brasil, mas eu tinha a opção de usar o transporte público, coisa que não é muito possível aqui, porque eu moro fora da cidade e transporte público nenhum vem até aqui. Finalmente conquistei minha independência e cumpri uma de minhas metas estabelecidas para o momento que eu viver aqui: aprender a dirigir.
Outra coisa boa são as viagens e saídas para comer e ir ao cinema grátis.
Outra coisa boa são as viagens e saídas para comer e ir ao cinema grátis.
Essa é uma parte boa, mas não é tão relacionada a ser au pair. Então vou direto ao ponto. É tão bom se sentir amada pelas crianças que você cuida. Eu me lembro de uma vez, em um dos primeiros meses, quando vi o fofo cuidando da babe (a filha menor). Eles estavam em pé e ela descansou a cabeça no tronco dele. Eu pensei: "Será que algum dia ela irá fazer isso comigo?". Pode ser um dia super estressante, eu posso estar com um péssimo humor, mas quando ela me abraça, do jeito que ela sabe, ou demonstra afeto, eu paro de ter pensamentos ruins e meu humor muda completamente.
Outra coisa que me deixa feliz é quando eu vou acordá-la e ela, mesmo meio confusa, ouve minha voz e sorri.
Ela está me ensinando a ser mais paciente e agradecida por tudo que eu tenho, mesmo que não seja o que eu quero, eu sei que é o que eu preciso!
sexta-feira, 13 de abril de 2012
4 Coisas: Coisa Ruim (parte 1)
Dias difíceis sempre existem na vida de qualquer pessoa, e eu tive um bem ruim como au pair.
Na metade do dia eu estava com uma dúvida: "O que eu estou fazendo aqui nessa cidade no meio do nada, trabalhando e sendo paga como escrava, "passando fome" (a comida aqui é apimentada demais e eu como e nunca fico satisfeita e como não dirijo aqui, não posso comprar o que eu quero comer), dormindo mal quase todas as noites (sempre sonho que estou atrasada para trabalhar, ou que alguém me acorda porque eu estou dormindo demais?"
E quando chegou a minha hora de trabalhar, me deparei com o problema: a honeyzinha que eu cuido estava com dor e eu não sabia o que fazer. Primeiro eu pensei que ela não gostava mais de mim, porque ela não estava mais fazendo o que eu pedia para ela fazer, não andava mais comigo, tentava fugir de todos os lugares que eu a colocava, e eu não sabia o que fazer, liguei para a fofa (a mãe) e ela me disse para colocá-la no overheard (é uma coisa tipo balanço que ela pode ficar segura e mais ou menos em pé). Foi uma guerra colocá-la lá, porque ela não parava de tentar fugir. Depois de finalmente conseguir, ela só girava naquela coisa esquisita. De repente, ela vomitou, vomitou pelo nariz, pela boca. Foi horrível. Eu não sabia fazer. Mandava mensagem para fofa a cada 10 minutos e ela estava em Minneapolis. A honeyzinha ficou comigo, só nós duas, sem eu saber o que fazer, por 3 horas. E a fofa, mesmo sabendo de tudo, continuou em Minneapolis vendo o jogo da filha preferida.
Eu achei isso o cúmulo do absurdo. E, depois, ela chega em casa e me diz: "Eu não podia sair de lá, porque eu tinha que esperar o jogo da honeyzona acabar. Não tinha muita gente, eu tinha que ficar com ela." - Sim, porque é mais importante fazer companhia para sua filha de 13 anos do que tentar acabar com uma super dor que sua filha de 9 anos está sentindo - "E depois ela perdeu e só fazia chorar." - Sim, porque esses jogos acontecem todos os anos e ela ainda tem 13 anos, e a dor de perder um jogo é maior que uma dor física de uma menininha de 9 anos que não pode nem explicar seu problema.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
O Treinamento
Meu voo fez escala em Miami. Eu pensei que eu teria um tempo para passear por alguma parte de fora do aeroporto, mas me perdi naquela coisa gigante. Os aeroportos grandes dos EUA tem até metrô para ir de um terminal a outro (só para perceber como é grande). Se os aeroportos do Brasil vissem os aeroportos grandes daqui, eles se autodemoliriam, porque a coisa aqui é bonita!
| Metrô estilo Brasil (meio cheio) |
Cheguei em Miami e me senti confortável com tanta gente falando espanhol, então o uso do meu inglês precário não foi necessário.
Em Newark eu tive que usar o inglês para encontrar a pessoa que me levaria ao hotel.
Deu certo, consegui chegar ao Hilton.
| Cartão para entrar no quarto |
Eu me senti glamurosa ficando no hotel da Paris Hilton. É tudo tão bonito, mesmo a parte mais barata (onde ficamos).
| Quarto com duas camas de casal e uma cama de solteiro (minha cama é a com algumas bagunças em cima) |
| Banheiro com banheira |
Todas as meninas quando chegaram receberam um envelope com alguns documentos
e uma cor. A cada participação nas palestras, com perguntas, respostas,
iniciativas, a pessoa ganhava um ponto para a cor da equipe. Na
quarta-feira, a cor que recebeu mais pontos, ganhou um segundo tour a New
York de 3 horas. Quem fizesse os melhores pre-departure project ganhava esse
tour também. Eu ganhei pelo projeto :)
Quando cheguei no quarto, não tinha chegado nenhuma outra menina ainda. Um pouco antes de anoitecer, nós brasileiras fomos ao shopping. Comi uma comida mexicana, comprei um creme da Victoria Secrets e foi isso.Voltei para o hotel e encontrei minha primeira roomate: japonesa
. Depois de um tempo chegou a outra: alemã.
O primeiro café da manhã foi normal: frutas, iogurte, cereal, suco, café, leite (sem chocolate), pão doce e salgado, um tipo de donuts recheado com ovos mexidos, suco, café, leite (sem chocolate
). O segundo já tinha chocolate
e um tipo de bolo estranho. E no último dia de café da manhã tinha panqueca americana e um tipo de mingau que pareceu nojento demais para eu experimentar. Lembrando que as primeiras coisas cotinuavam a ter em todos os cafés da manhã.
O primeiro dia de almoço teve sanduíches estilo Subway, alguma coisa semelhante a tacos, salada, refrigerantes, água, café e de sobremesa tinha brownie. O segundo dia (o dia que eu não almocei por estar tão morta de sono que até ansia de vomito eu senti) teve arroz com alguns legumes, frango e carne (de vaca). E no terceiro dia teve pizza e lazanha
e de sobremesa nos dois últimos dias teve uma tortinha ruim e trufas ruins. Eles não ofereciam janta grátis, mas na terça-feira fomos a New York e na quarta-feira também, então comemos lá.
Nós tinhamos que acordar todos os dias às 6h da manhã, para comer, tomar banho, e ficarmos prontos para as palestras que começavam às 8h. Tínhamos palestras das 8h às 12h e depois das 13h às 17h, normalmente. As palestras falavam mais sobre o que poderíamos fazer com as crianças, brincadeiras, como solucionar problemas relacionados ao cuidado delas e primeiros socorros. As palestras foram informativas e valeu a pena para quem entendia inglês.
| Aula de primeiros socorros |
| Salão de palestras |
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Malas
Eu já estou aqui, então fica mais fácil falar sobre o que precisa e o que não precisa trazer.
Primeiro, você tem que saber como é o clima da região que vai morar e qual é a estação do ano nos EUA (óbvio). Daí leva as roupas para a estação que você vai chegar e não esquece de levar uns casaquinhos porque as noites são frias, normalmente. Leve roupas velhas para trabalhar, tênis, meias, muitas calcinhas (porque aqui só tem grande demais ou fio-dental demais).
É bom colocar na mala mais do que três calças jeans, porque é díficil
achar calça bonita aqui. Se procurar bem, consegue achar sim, mas é
difícil.
Se você é como eu e não consegue viver sem um chinelo havaianas, leve dois.
Não
esqueça de fazer uma mala para levar com você no avião, caso sua mala
seja extraviada. Leve algumas blusas, calcinhas, remédios, essas coisas.
É bom levar alguns pijamas de calça e blusa, sabe?
Eu uso lente de contato e tive que pagar para ter uma receita válida para o país, mas tem estados que aceitam receitas brasileiras. Então procura saber antes se o estado que você está indo aceita ou não receitas de oftalmologistas brasileiros e vê se fica mais barato comprar as lentes no Brasil, ou fazer a receita aqui e comprar aqui. Eu paguei U$ 78 na receita e ganhei um par de lentes e as lentes são U$ 25 (uma caixa com três pares de lentes descartáveis).
Se você toma anticoncepcional, melhor comprar no Brasil. Aqui os remédios que precisam de receita são caros e a receita médica é mais cara ainda. Tome cuidado ao levar remédios dentro da mala. Tenta deixar as receitas junto com os remédios, porque quando você chega nos EUA, eles abrem sua mala e mexem nas coisas mesmo
Eu levei duas caixas de cada rémedio na minha bagagem de mão. Caso eles pegassem algum remédio de dentro da minha mala, eu teria outros comigo. Não pegaram nenhum deles, mas teve algumas meninas que chegaram em NY e perceberam que faltava vários remédios.
Cremes hidratantes, perfumes, maquiagem são muito baratos aqui, por isso não se preocupe em levar milhares com você. Leve o suficiente para duas ou três semanas.
E é isso!
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
A Entrevista
Entrei na primeira sala dentro do consulado. Passei pelo detector de metais, e, como nada soou, continuei andando. Do lado de fora da sala é aberto e tem uma lanchonete, estranho. Segui as setas. Separei os documentos que eles pediram. Peguei minha senha e esperei para a pré-entrevista. Como fui umas das primeiras, ainda tinha lugar para eu sentar.
Na pré-entrevista, eles pegaram todos os documentos que o homem da senha tinha pedido (comprovante de preenchimento do DS-160, DS-2019, taxa SEVIS, comprovante de agendamento do visto, taxa de pagamento da CityBank, foto 5x7 e passaporte), eles perguntaram o que eu iria fazer. Respondi intercâmbio como au pair e voltei a sentar no mesmo lugar de antes. Esperei mais um pouco para digitalizar as digitais e fui para outra fila de bancos.
Essa era a fila da entrevista verdadeira. Notei que tinham várias pessoas que estavam entrando na frente durante a entrevista como preferencial. Só que essas pessoas não eram idosas, ou gestantes, ou estavam com uma criança de colo. Eles eram ricos. Ricos que pagaram para um despachante caro "furar a fila" para eles. Muito bonito! 
Durante a espera nos bancos, passou uma mulher entregando os envelopes de sedex para escrevermos nosso nome e endereço.
Minha entrevista foi bem tranquila:
Consul: 

Eu: 

: Bom dia!
: Bom dia!
: Por que você vai aos EUA?
: Intercâmbio como au pair.
: Why do you want to be an au pair?
: To improve my english to get a master scholarship.
: What do you study?
: Animal Science.
: hmm Animal Science (como interessante) Where do you study?
: Mato Grosso do Sul, my state.
: But what college?
: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
: Where will you be in the USA?
: Rochester, Minnesota
: Okay, você pode colocar seu dedo indicador aí e é só pagar a taxa lá fora (com todo o sotaque de americana)
: Thank youu!
: You're welcome. Have a nice trip
: Thank you so much
E foi assim que eu consegui meu visto!
sábado, 1 de outubro de 2011
A Saga do Visto
Três dias antes do temido dia do visto fiquei doente. E não foi qualquer tipo de doença não. Eu fiquei com febre, com tosse, vomitei uma vez bem pouco, e, por último, mas não menos importante, fiquei rouca. Dois dias antes, eu estava totalmente sem voz, mas isso não me impediu de tentar conversar
Remédios em gota, comprimidos, de pingar no nariz; spray com própolis e guaco; balas com mel, própolis, gengibre e jiló; Vick®; receita da vó, e, finalmente, eu estava com uma voz roucamente sexy. Então comecei minha breve luta em prol da recuperação da minha voz.
Eu estava certa de que iria ficar perdida em São Paulo sozinha e sem muita voz, quando meu primo chegou na casa da minha tia e não me deixou ir sozinha para São Paulo. Fiquei tão feliz e meio desconfortável por saber que ele tinha viajado por 7 horas e de moto e deveria estar exausto, mas ele é família 
Chegamos na rodoviária às 21 horas já sabendo que ali ficaríamos até às 4 horas da manhã. Tentamos encontrar posições confortáveis para dormir nas cadeiras. Sem sucesso. Tentamos encontrar lugares confortáveis para dormir no chão e evitar o vento que estava nos atingindo e a minha garganta menos rouca. Sem sucesso. Voltamos ao banco duro e gelado, e quando estávamos quase conseguindo dormir, um senhor quase-idoso vomita na nossa frente.
"Eu pensei que alguém estava derramando água no chão" - disse meu primo, depois de ter sido acordado pelo som do senhor-vomitinho.
Um homem que trabalha na rodoviária pediu para todos saírem daqueles bancos e irem para um outro lugar com bancos, porque eles iriam lavar aquela área. Chegamos no outro lugar, e eu vi aqueles lindos bancos com lugares para colocar a cabeça. Quase chorei de emoção.
Naquela noite, dormi 1 hora e 30 minutos
"Acordei" às 3h30 para ir ao banheiro, que tive que pagar para usar, escovei os dentes, me maquiei, arrumei meu cabelo e estava linda e radiante
para meu tão temido dia do visto.
Pegamos o primeiro trem às 4h30 na Barra Funda, sentido Osasco. Descemos na Pres. Altino. Pegamos outro trem sentido Grajaú e descemos na Morumbi. Tomamos café-da-manhã na rua, como típicos trabalhadores paulistanos, andamos algumas quadras e chegamos ao consulado americano. Não eram 6h da manhã e mais de 10 pessoas já estavam aguardando na fila.
Estava começando a ficar desesperada, com medo de esquecer o inglês, com medo da minha voz acabar, quando eu vejo uma mulher que trabalha cuidando do estacionamento em frente ao consulado. Ela chega lá todos os dias às 4 horas da manhã e está sempre animada, falando alto, rindo, animando algumas pessoas ansiosas pelo visto. O bordão dela é "Ipod não pode. Tem que deixar no carro."
Começou a garoar. Parou. E finalmente eu entrei lá antes de 7h30.
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